A caixa-preta chamada previdência social.

Categoria: | 08.setembro.2014 | sem Comentários

Pensar no momento da aposentadoria é um tema delicado para aqueles que temem envelhecer. Como é impossível parar o tempo e atrasar esse processo (natural) da vida, o melhor a se fazer é planejar o futuro. Quando se trata de aposentadoria junto ao INSS a repulsa pelo tema aflora ainda mais, fruto do desconhecimento e das informações desencontradas apresentadas pela mídia.

Culturalmente os brasileiros não são educados a pensar em ações de longo prazo. E quando se fala de previdência social esse tipo de omissão muitas vezes afasta a possibilidade de corrigir o curso da vida quando ainda há tempo.

Praticamente não se vê debates sobre a importância de se pensar na aposentadoria. O que muito se ouve e vê são informações sobre o fator previdenciário e a expectativa de vida, algo que muitas vezes aterroriza as pessoas que se sentem impotentes diante das modificações legislativas.

Apesar de sua relevância nacional, o assunto previdência social ainda é considerado uma “caixa-preta” para a maioria dos cidadãos. E o reflexo disso é o aumento do número de pessoas desprotegidas pela previdência, apesar de atuarem no mercado de trabalho.

Fomentar a discussão sobre o tema é o primeiro passo para desvendar as possibilidades e, acima de tudo, despertar o interesse de profissionais e empresários, independentemente da classe social ou profissão que exerçam.

Receber o teto máximo da previdência é o desejo de todos, mas é preciso refletir que o valor do benefício está pautado no histórico de contribuições. Quem contribuiu toda a vida sobre o salário-mínimo receberá o mínimo da previdência. E infelizmente essa é uma realidade da maioria dos empresários do Estado que recolhe o INSS sobre o pró-labore (normalmente salário-mínimo) e estruturam os seus rendimentos sobre a distribuição de lucros.

Do ponto de vista previdenciário esse não é o melhor caminho porque não há uma preocupação com a aposentadoria das pessoas que integram a sociedade. Um dia os sócios também vão precisar da previdência social, seja para requerer algum benefício acidentário ou mesmo para a aposentadoria.

E saber como chegar lá e qual o melhor caminho fará toda a diferença para a vida das pessoas. Mas é preciso conhecer a própria situação para poder apontar para a direção certa. Possibilidades existem, o que falta é a sensibilização das pessoas sobre o tema.

É claro que não existe milagre, cada indivíduo tem a sua realidade, mas sempre há espaço para melhorar. O importante é dar o primeiro passo, sair da inércia e enfrentar o assunto com seriedade e serenidade.

Convido-os a pensar na sua aposentadoria, espantar os fantasmas que rondam o tema e planejar a aposentadoria do futuro velhinho que está dentro de você.

Fernanda Gutierrez, advogada, especialista em direito empresarial pela FGV. Associada ao Instituto dos advogados previdenciários de São Paulo. Sócia do escritório Camy & Gutierrez Advogados e Consultores.


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